Ficamos velhos e às vezes morremos.
http://pseudocontos.wordpress.com/2012/04/01/realpolitik/
Ficamos velhos e às vezes morremos.
http://pseudocontos.wordpress.com/2012/04/01/realpolitik/
Ruiva, prendi você numa caixinha em formato de coração. Enterrei bem fundo, bem fundo, ruiva. Cavei muitos buracos, e chovia. Cavei para esquecer onde enterrei. Onde enterrei teu coração.
Aí te acompanhava de longe. Era uma carta, era uma poesia. Uma notícia distante, uma carta. Era eu aqui, cheirando e beijando outra pessoa, pensando em você. Cheirando tuas cartas.
Quando tudo se aquietou eu lembrei quer era permitido sonhar. Num sonho, ruiva, eu desenterrava a caixinha, mas não encontrava nada dentro. As caixinhas estavam vazias. E alguém me dizia que na verdadeira, estava meu coração, não o teu. Ruiva, não consigo mais escrever. Perdi você e as letras. Enterrei meu coração e não sei onde está ruiva.
Você vai correr e se esquecer de mim. Eu vou envelhecer, morrer, sonhar. Não importa. O fato é que não nos encontraremos mais por que ambos somos covardes. Eu vou envelhecer e me arrepender; pois é isso que fazem os covardes.
Tentar viver uma ilusão é necessário. A realpolitik do amor é o presente, e o presente não voa como você voava, assim, num susto de verão.
Estou bem ruiva, mas falta-me uma dose de acaso, de você, da tua pele branca e do teu cheiro vermelho assim, espalhado no quarto depois do sexo. Falta aquela mordida, aquela recusa, e por que não dizer; que falta você tão instável, fazendo-me escrever repetidamente sobre algo que não se pode mais cavar, por que está enterrado num lugar que eu definitivamente já esqueci.
Não tenho mais pá, por que cavar a si próprio dói demais.
Ah Ruiva, que belo jantar tivemos. Lembro-me que foi um dia especial. Era meu aniversário, mas ninguém ligou ou comentara.
Eu fingia não me importar, mas era mentira, pois todo mundo se importa com alguma coisa. Todo mundo se importa em ser esquecido. Mesmo os que dizem não se importar.
E foi aí Ruiva, que eu percebi que você era realmente a ruiva, quando você, que fingiu não lembrar, nem comentar, nem ligar, mas me encontrou assim no final da tarde, dentro da livraria que eu imaginei estar no aniversário e você também… Você entrou naquele momento mágico, onde a esperança já tinha se transformado em café. Como eu sonhei com algo assim Ruiva… como… e várias, várias, várias vezes…
Sonhei com alguém que faria algo assim sem avisar, sem prometer, sem trocar por algum favor futuro ruiva…
E eu que tinha dormido solitariamente na noite anterior, pensava se merecia mesmo dormir com você de um dia para outro, de um aniversário para outro, de uma semana para outra; mas eu não sabia, e tinha medo da sua opinião, que era livre como você, livre como o vento.
E eu fechava meus punhos. E tinha vontade de falar, mas não falava. De gritar, de chorar na frente deles. Mas só conseguia te acompanhar, tomar café, comentar aquele livro, perceber alguém na rua. Eu poderia falar que amaria metade daquela mesa de bar, o que era irônico, pois eu apenas amei você Ruiva, apenas você.
E eu guardava tudo aqui quietinho. Numa caixinha que chamaram coração, mas eu sabia que tinham dado o nome errado para a coisa certa. E o dia ia terminando. A luz se apagando, e eu sabia que não ia te ver mais. Talvez na semana que vem, talvez no ano que vem, talvez nunca mais.
Eu bebia e morria. Eu andava e fumava. Eu pensava que podia sobreviver a mim mesmo, mas era impossível. Eu encontrava você na rua, mas não era você.
Eram imagens flutuantes.
Os passarinhos cantavam de manhã, não respeitavam o horário de verão.
Tente fazer um pássaro parar de cantar. É impossível.
E eu ia morrendo, com você no peito.
Você foi embora. E eu teria de te esperar mais uma vez.
Vale a pena ler esse conto da vida real.
A triste história de um poeta e militante em tempo integral dos direitos humanos no Rio de Janeiro, narrada por ele mesmo!
Uma triste e injusta história para um Grande Defensor e Batalhador dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro: o Poeta Deley de Acari.
Outra coisa: seria bom o Movimento Negro e as organizacoes dos Direitos Humanos aí no Rio de Janeiro dessem cobertura e seguranca ao Deley imediatamente. Ele nao pode ficar assim vazado e solto por aí. A morte de Tania Cristina do Afroreggae já é um sinal de que outros/as militantes dos Direitos Humanos no Rio podem sofrer o mesmo destino. Não gostaria de ver outra pessoa próxima a nós se lascar sem a protecão e segurança necessária por sua militância e dedicacão às causas das populacões faveladas, no seu caso, a Comunidade do Acari.
Ras Adauto, SOS Racismo Berlin Kreuzberg
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PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI
ACARI, JAMAIS DEVERIA TER VOLTADO,ESTOU CONTANDO AS HORAS DE SAIR!
Nesta 6ª Feira passada, dia 11 de Novembro, recebi a o primeiro aviso de um morador, que a casa dele estava sendo invadida por pms as 06h40 da manhã. Na noite anterior, ao fechar a janela do quarto, sofri uma forte pancada no braço doente, e acordei com dores insuportaveis, que me acompanharam por toda manhã, até ás 11h e pouco, mais ou menos a hora que os pms foram embora. Atualmente, o presidente da associação de moradores mora fora da favela, e só chega em Acari lá pras 10h00. De maneiras que,hoje, o único defensor de direitos humanos, a disposição, pra botar a cara e sair pra pista, 24 horas por dia em Acari, sou eu.
Durante toda operação meu telefone não parava de tocar… por uma vez tocou quando bati de frente com o caveirão, e por duas vezes, nos exatos momentos em que bondes de pms com X9 passavam por mim.
Quando fui atender um morador cuja a casa estava sendo saqueada pelo pms, dois pms acompanhados de um X9 me barraram e um tenente que nunca vi antes me disse: não esta escoltando policia não né seu vanderley? antes de perguntar como ele sabia meu nome, olhei pro X9 e reconheci os olhos verdes e a pequena cicatriz sob a pálpebra do olho esquerdo, que o buraco da toca ninja não consegui esconder. Nem precisa perguntar como o tenente sabia meu nome. Isso era 07h15 da manhã e nenhuma organização de direitos humanos, governamental ou não governamental, funciona este horário. Tive que recuar e me proteger… só as 10h30, hora que abriu uma lan hause, consegui mandar o primeiro e-mail pra bandrio. Nesta hora os pms já estavam saindo da favela com o tesouro de sua pilhagem.
Fui a casa da moradora que foi saqueada e fui recebido com xingamentos, criticas e acusações de não ter impedido que os pms violassem seu domicilio e a esculachassem. Tentei esclarecer a ela que estava na rua dela tentando intervir e tinha sido ameaçado pelo pms. Ela retrucou com grosseria que eu estou “aí” pra isso mesmo e por isso tenho e posso que botar a cara.
Mais tarde, lideres comunitários, outros moradores, a até alguns “meninos” mais “embalados”, também me “cobraram” por minha incompetência como defensor de direitos humanos.
De noite, estava sentado na escadinha da quadra de areia, quando a jovem que eu salvei de ser morta com uma paulada na cabeça, passou de braço dado com seu companheiro, quase seu assassino, e meu mutilador, para aula de capoeira. Ao meu lado, um líder comunitário e militante cultural me sacaneia:- Ta vendo como você é um babaca metido a feminista otário: os dois estão no bem bom, e você ai aleijado, isso é pra deixar de ser otário, da próxima vez deixa se matarem… e você ainda ficou 37 dias internado e nenhuma feminista, ou amiga sua ou ong feminista fez nada até agora por você ou deu alguma nota pública em solidariedade a você.. Sequer foram te visitar no hospital. As feministas de esquerda e este povo dos direitos humanos que você paga pau querem mais é que você se foda… Você tá pensando que é Marcelo freixo, seu mané?
Levantei, coloquei os fones do celular nos ouvidos fui pra casa ouvindo a oi fem e me sentindo mesmo um babaca metido a feminista otário. Mais babaca e otário por ter voltado pra Acari, ao em vez de ter ido me restabelecer em Juiz de Fora, onde ninguém de Acari, me ligaria, como me ligavam, pro meu celular, no hospital, não pra saber, se eu estava bem, mas pra reclamar de violência policial… talvez, se estivesse em Juiz de Fora agora, na casa do meu tio, me restabelencendo, nenhum morador me esculacharia por não impedir que a policia invadisse sua casa, nem nenhum compas de luta me “marcaria” como babaca metido a feminista.
Desde 6ª Feira então, militante de direitos humanos aleijado e incompetente, e e babaca metido a feminista otário e mané, que se não sou, ainda me sinto, até acabar sendo mesmo, vou contando as horas, pra sair em definitivo de Acari, pra onde jamais deveria ter voltado!
Deley de Acari
— Em sex, 11/11/11, deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br> escreveu:
De: deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br>
Assunto: Enc: PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI
Para: ouvinterj@band.com.br
Data: Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 14:29
Então:
venho ratificar a informação que dei a band de manhã. o meu telefone mais facil é 95834968.
deley de acari
Em sex, 11/11/11, deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br> escreveu:
De: deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br>
Assunto: PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI
Para: ouvinterj@band.com.br
Data: Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 10:51
Enquanto voces estão dando atenção a rocinha, policiais do 41 de irajá, neste exato momento estão invadindo e saqueando casas de moradores em na favela de acari e amarelinho, sem a presença da imprensa.
Vanderley da Cunha.
Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos de Acari.
telefones: 8198 2643 e 9583 4968
Na Foto: O Poeta e ativista dos Direitos Humanos Vanderley da Cunha, mais conhecido por nós tod@s como o “Deley de Acari”
Os homens devem vestir gravatas rosas, as mulheres vestidos amarelos com bolas pretas.
Os casais apaixonados devem sair rodopiando abraçados uns aos outros, ao final da saída, uma coreografia do balé bolshoi deve ser executada na parte central da plataforma. Não haverá área V.I.P.
Os religiosos, os crentes, e os indecisos com culpa, devem rezar para salvar todos os demais passageiros.
Aqueles que não acreditam em deus devem permanecer sentados no banco preferencial aos ateus.
As contas a pagar podem ser queimadas na presença de um agente de segurança.
Os livros do Neruda podem ser reembolsados nas bilheterias das estações. Não aceitaremos rosas como devoluções.
A difícil arte de harmonizar a poesia com as contas e ausências a pagar.
Lendo muita coisa antiga. Eu percebi que muita coisa ainda dói.
O adendo é que eu ainda tenho a velha capacidade de estragar tudo.
Emudeceu.
Calou-se.
Pediram muito.
E ele só queria seguir, sem que alguém o notasse.
Mas aí chegam os vinte, os vinte e cinco, e por fim os trinta, com o café, o desemprego e o horário de regar a horta no fundo da casa alugada.
As prestações não chegaram. Nem as cartas da ruiva. Talvez o cachorro ou o gato, esgueirando nos muros.
Chegou sim o silêncio. A ausência. O perdão antecipado. O erro vencido.
E os pratos quebrados no canto da mesa, sobram partidos; como se houvesse lugar cativo ou seguro para guardar as próprias ausências.
Há pouquíssimo tempo, uma novidade atrai a curiosidade dos frequentadores do centro do Rio de Janeiro. Vestindo uniformes e portando megafones, pequenos grupos de trabalhadores interferem na rotina frenética da cidade. Espalhados em diferentes locais, esses guerrilheiros da propaganda atuam diretamente no cotidiano dos transeuntes, disseminando energicamente seus discursos inflamados. “Da primeira vez que vi, confesso que achei que era um grupo de esquerda, até porque ouvi a palavra liberdade umas duas vezes, durante o pronunciamento público da moça que portava o megafone”, revelou um amigo.
Os “manifestantes” na verdade são trabalhadores mal-remunerados, assalariados. São contratados pelas empresas de telefonia para venderem, aos berros, os chips de suas operadoras aos transeuntes dia após dia. “Curiosa manifestação.” Pensei alto. “E veja, esta liberdade não é proibida.”
Esta pequena prosa poética de minha autoria foi publicada na seção Flagrantes delitos, do site Passapalavra.