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Quando a Ruiva chegou e foi embora

Ah Ruiva, que belo jantar tivemos. Lembro-me que foi um dia especial. Era meu aniversário, mas ninguém ligou ou comentara.

Eu fingia não me importar, mas era mentira, pois todo mundo se importa com alguma coisa. Todo mundo se importa em ser esquecido. Mesmo os que dizem não se importar.

E foi aí Ruiva, que eu percebi que você era realmente a ruiva, quando você, que fingiu não lembrar, nem comentar, nem ligar, mas me encontrou assim no final da tarde, dentro da livraria que eu imaginei estar no aniversário e você também… Você entrou naquele momento mágico, onde a esperança já tinha se transformado em café. Como eu sonhei com algo assim Ruiva… como… e várias, várias, várias vezes…

Sonhei com alguém que faria algo assim sem avisar, sem prometer, sem trocar por algum favor futuro ruiva…

E eu que tinha dormido solitariamente na noite anterior, pensava se merecia mesmo dormir com você de um dia para outro, de um aniversário para outro, de uma semana para outra; mas eu não sabia, e tinha medo da sua opinião, que era livre como você, livre  como o vento.

E eu fechava meus punhos. E tinha vontade de falar, mas não falava. De gritar, de chorar na frente deles. Mas só conseguia te acompanhar, tomar café, comentar aquele livro, perceber alguém na rua. Eu poderia falar que amaria metade daquela mesa de bar, o que era irônico, pois eu apenas amei você Ruiva, apenas você.

E eu guardava tudo aqui quietinho. Numa caixinha que chamaram coração, mas eu sabia que tinham dado o nome errado para a coisa certa. E o dia ia terminando. A luz se apagando, e eu sabia que não ia te ver mais. Talvez na semana que vem, talvez no ano que vem, talvez nunca mais.

Eu bebia e morria. Eu andava e fumava. Eu pensava que podia sobreviver a mim mesmo, mas era impossível. Eu encontrava você na rua, mas não era você.

Eram imagens flutuantes.

Os passarinhos cantavam de manhã, não respeitavam o horário de verão.

Tente fazer um pássaro parar de cantar. É impossível.

E eu ia morrendo, com você no peito.

Você foi embora. E eu teria de te esperar mais uma vez.

Instruções para evacuação de um trem na via

Os homens devem vestir gravatas rosas, as mulheres vestidos amarelos com bolas pretas.

Os casais apaixonados devem sair rodopiando abraçados uns aos outros, ao final da saída, uma coreografia do balé bolshoi deve ser executada na parte central da plataforma. Não haverá área V.I.P.

Os religiosos, os crentes, e os indecisos com culpa, devem rezar para salvar todos os demais passageiros.

Aqueles que não acreditam em deus devem permanecer sentados no banco preferencial aos ateus.

As contas a pagar podem ser queimadas na presença de um agente de segurança.

Os livros do Neruda podem ser reembolsados nas bilheterias das estações. Não aceitaremos rosas como devoluções.

Nestor, o terrorista.

Talvez o mundo acabe hoje mesmo.

Talvez.  Pode acabar todo dia.

Eu saí com aquela pasta cheia. Era nitroglicerina amor. Nitroglicerina não se compra no supermercado.

É preciso muito mais do que gerentes impotentes para construir um mártir.

Eu caminhei no meio da rodoviária, peguei meu ônibus, desci na avenida principal e mirei a bolsa de valores.

Era ali que eu queria explodir, junto com o povo, como num filme do Gláuber Rocha;  sem cortes, e com aquela musiquinha de fundo tocando, com o som do órgão das freiras de petrópolis tocando, e tocando e tocando.

Eu caminhei firme. Em meu peito gritavam o nome dos mártires. Ravachol, Émile Henry, Spies, Parsons, Neeb, Fischer…  Lembrei da conspiração da pólvora!

O céu estava nublado. Eu me achei displicente por perceber nuvens num momento tão importante. Deixemos para os poetas as poesias pensei. E as bombas para os vingativos.

Já que eu não sou meteorologista e nem poeta, posso me afirmar: eu sou uma vingança,  e sem glutamato monossódico.

Atravessei a rua. Havia o sorveteiro. A loja de conveniência cheia de yuppies malditos. Havia ternos, saias. E uma atmosfera sexual naquela cidade de merda.

O sinal fechou e eu atravessei. Estava meio quente, mas eu descia, deslizando pelo asfalto.

Barba branca. Piercing colorido. Sapato novo. Perfume de 200 reais. Cavanhaque aparado.

Que idiotas. Vão todos morrer, mesmo assim.

A morte é estúpida, e lhe pega assim de soslaio, sem perceber.

Bom dia seu guarda.

Bom dia.

Cheguei na porta do fórum: a hora é essa.

Malditos desembargadores! Justiça burguesa! Vão morrer todos eles.

Apertei o mecanismo. O pavio estava aceso. 20 segundos e todos vão morrer.

Eu sou vingança.  O mecanismo não falha. Eu falho. Só tinha poesia e papel comigo.

Eu esqueci a mochila.

Eu deixei-a no sarau.

E era um sarau no Leblon.

E era um sarau no Leblon organizado por um Buarque de Holanda.

Por que diabos eu esqueci… Foi no meio do discurso à favor dos pobres, enquanto serviam pró-seco e champagne e gritavam contra as remoções.

Spies, Parsons, Lingg… Eu falhei…

Me desculpem por explodir o lugar certo.

 

Segue Sônia e a Insônia.

Sônia, não, você não pode dançar assim.

Olha teu quadril que lascivo. não provoca assim. Assim é demais.

Sônia, para de ligar, para de mandar cartas, para de telefonar, para de dizer a ele o que ele tem de fazer.

Sônia. Para.

Olha teu vestido Sônia, olha teu umbigo, olha teu céu Sônia. Olha teu universo como ficou pequeno quando ele te guardou no bolso.

Sônia. Muda tua religião, coloca o remendo no fundo da meia. Tá na hora de aprender menina. Com vinte e quatro eu já sabia fuder psicólogos.

Olha. Não se abaixa. Não deixa ele te pisar. Não paga na mesma moeda. Só seja Sônia, Sônia. Veste tua roupa. Cadê tua coragem Sônia, cadê.

Deixa a insônia pra ele. Deixa.

Sônia. Deixa de ser idiota.

Deixa de ser sônia Sônia. Deixa de ser sônia sua songa-monga.

Você fode ele quando quiser.

Origami Emocional

Vou lhe mostrar como fazer um origami emocional meu amor.

Você acha que a questão é simples querida?

Acha que é só você pegar aquele pedaço de gente e amassar? Não meu amor! Não é só amassar!  Amassar por amassar é coisa de gente amadora, garota! Você deve dobrar. Deve dobrar pouquinho por pouquinho, pedacinho por pedacinho.

Ninguém desconfia de alguém que dobra né? A gente desconfia de gente que amassa. Gente que amassa conta de luz; gente que amassa guardanapo e joga no chão, gente que amassa aquele dinheiro de raiva! Dessa gente a gente desconfia, não meu amor? Pessoas mal educadas amassam as coisas todos os dias! Até carta de amor!

Nós não querida. Gente da nossa estirpe não amassa… A gente dobra! Vai dobrando pedacinho por pedacinho; filminho, teatrinho, sushizinho, piadinha-internazinha-grupinho-bacaninha; vai dobrando.

Mas não é dobrar por dobrar não gatona. Não vale dobrar sem objetivo. Toda dobra é calculada. Dois anos? Dois meses? Dois dias? Você escolhe. Polissemia, poligamia, polifagia… É tudo no plural!

Primeiro você faz um sapinho bonitinho. Quando acabar, que tal uma raposa? Se pode ser o leãozinho, o pavão e o urinol do Duschamps? Se vale? Claro po-de-ro-sa! Va-le tu-do! Leva ele na exposição dos medíocres. Convence que o instante é que é o eterno amor, e que o eterno, o eterno não existe, passou, passou como um instante.

Liberdade é ser como você querida, ter um belo e rosado coração de papel! De papel! Mas vale cartolina e até aquela coisa, como chamam? Papel-crepom!

Você tem estilo!

Pode desdobrar tudo quando terminar! Desdobra tudo, coloca a entranha dele pra fora. Embrulha ele com celofone!

Depois dobra  de novo. Dobra de novo.

E não esquece que o papel rasga, papel rasga mesmo meu amor. Pode ser na boate, na fila do caixa ou até com a mãe dele presente, papel RAS-GA. E nessa hora a gente tem de se prevenir!

E quando rasgar, você pega outro papel, pega outro papel e vai dobrando, vai dobrando minha filha; cuidado para não se dobrar junto com o origami.

Cuidado, por que aí filhinha, aí eu vou ser obrigada a dizer que você se meteu numa caretice daquelas meu amor e o édipo pode vir junto.

Esqueceu como é que dobra? Nossa meu amor! Nossa!

Tenho que te dizer; vai, é só uma desconfiança boba…

Mas eu que acho que te dobraram! E tem gente que dobra e engole!

Pessoas Descartáveis

Há pessoas descartáveis.

Como Rosa, que na pausa do almoço de Fred, ouvira que “o problema não era com ela”, mas sim com ele. E que tudo iria ficar bem. Que ela podia voltar para casa, que as coisas se ajeitariam. Seriam bons amigos daqui para frente. Bons amigos.

E rosa, já em nome minúsculo, pois já estava diminuída com a maquiagem borrando diante de Fred, encolhia as pontas dos pés repetidamente; pois era assim que sustentara o equilíbrio de um coração prestes a sair pela boca e  que podia cair pulsando bem no meio do Largo da Carioca.

Há pessoas descartáveis. Como Aílton. Vinte anos de firma não são suficientes para impedir um gerente novo e viril de flexibilizar o quadro de funcionários. Um vigoroso cortador de testículos cuja ambição é reduzir em números os descartáveis. Aquele homem sabia transformar hemorróidas em qualidades.

Todo pênis tem suas metas.

Há pessoas que são descartáveis. Como Jorge, o garçom que não conhece nada de Sísifo, mas tem de servir, servir e servir, até não poder mais. E aí, volta a servir novamente, e novamente.

Catarina, sua esposa hidrofóbica repete em casa o velho mantra: Jorge você não serve pra nada!

O pastor pentecostal diz que Jorge tem de servir a humanidade! O gerente  adiposo diz a mesma coisa, mas troca cristãos por  “fregueses”.

E surpreso, no meio da tarde, entre um jogo do Avaí e do Fluminense, alguém pergunta pra Jorge: esse pedaço de cano serve Jorge?

Não, não serve. Ele responde. Hesitante; pois sempre que Jorge serve as pessoas, jorge acha que não serve pra nada.

Como Lousada. Sargento do BOPE, Lousada passeia de farda pra cá e pra lá; em cima do seu cavalo preto; parece o demônio a galope. Lousada desfila, fecha, muda a expressão. A vagabundagem teme Lousada. Lousada é o fodão.

Na casa da mamãe, muita abóbora com agrião.  Não pega esse peso Dona Marli! Eu vou prender a sra!, ri balançando os braços e coçando as orelhas com uma ternura expansiva e natural.

No campo de batalha Lousada é um animal. Mata um, mata três. Emburaca quatro. Saco de plástico na cabeça, facada no pulmão, metralhadora no paredão.

Toda vez que Lousada visita Dona Marli, ou come Manoela, sua pica encolhe seis centímetros.

Algumas pessoas, são descartáveis. Deveriam nascer mortas. Bandidos de merda, cospe Lousada!

E Veridiana? Veridiana acha que suas amigas não servem. E está sempre as trocando. Pois Veridiana tem um medo terrível do apego. Ela não sabe, mas Veridiana é uma zen-budista de propaganda de guaraná. E Veridiana vai trocando de amigas e amigos. Cada vez mais rápido. Entre um fast-food e outro, Veridiana vai trocando. E suas exigências vão subindo. E ela vai amassando as pessoas e colocando na lata do lixo. Não dá tempo de fazer origamis, pois Veridiana é rápida demais. Ela amassa e joga fora.Rápida como seu gozo de mili-segundos.  Des-car-ta essa gente meu a-mor, desscarta, ela diz.

Limpa os lábios Paris Hilton, limpa os lábios com o lenço umedecido.

E qual é a marca querida?

Eu só uso o mundo descartável meu amor.

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O dia em que Amanda Gouveia chupou a classe-média e matou Carlos Rosenbauer

Aquela coisa amarga tinha um nome. Não, não era a cerveja.

Era você, e aquele cigarro largado em cima do cinzeiro, aquela sua mania irritante de desviar o olhar e fingir que não estava ali. Porra! Você estava ali, não vem fingir que é um fodão que não sente dor como as outras pessoas.

Foi ali, que eu percebi que você me tomava todos os dias, ia comendo; pedacinho por pedacinho. Quando eu te ligava no horário do almoço, você dizia: – Amor, estou ocupado te mastigando! Liga depois!

Eu desligava por que era uma burra, sonsa, inerte, que até para atravessar a rua, dependia da iniciativa de outrem.

E eu sabia que um dia a fome ia acabar, e você ia sair para mastigar outra mulher.

Aqueles amigos seus cheiravam a glicerina e quando eles te encontravam, parecia que a vida para você era boa, mas para mim era uma merda, minha vida ali parecia ruim. Era ruim. E eu não tinha piscina.

Eles diziam que a vida passa rápido. Vamos correr, vamos dançar, vamos beber, fuder, trepar, foda-se. Vamos cheirar aquela carreira de pó com o looping da montanha-russa martelando, martelando, martelando.

Ou que tal brincar de consciência social? Vamos pesar nossas consciências e carreiras na balança do supermercado.

Quem podia odiar gente bacana assim?

Quando você voltou do banheiro, com aquela barba por fazer e sua voz grave, e eu adorava sua voz grave, eu tive vontade de dizer que não restava nada de ninguém naquele lugar. Que aquele lugar todo era uma merda. Que aquilo tudo era forçado. As pessoas se reuníam por medo, medo de si próprias. Covardes do caralho.

-  Garçom, mais uma cerveja!

- Am-or, Virgínia me li-gou, já estão na Fer-rei-ra de Ma-tos.

Aquela maquiagem me deixava como um perdiz; e parecia que eu estava pronta para ser abatida, fudida, morta no alto sem poder reagir.

Podia subir na mesa e cacarejar, mas não sei se perdizes cacarejam; pouco me importa. Não sei se aquela maquiagem que borrou e que deixava meu lábio maior do que realmente era, me fazia uma perdiz; meu pai achava que era um sapo. Boca de sapo! Carinhoso o velho não?

Sete anos de terapia, sete anos meu amor, Já posso entrar no clube dos imbecis?

E neste clube tinha um dia que era o dia para comer. Outro dia o dia do cinema. E tinha o dia de julgar a todos ao som de um grupo acústico do Equador. Havia as semanas que as pessoas iam ao teatro. Outro dia falavam aborrecidamente de si próprias, das suas carreiras, não as de pó, dos seus dilemas fúteis, dos seus gostos aborrecidíssimos, das suas preferências gastronômicas que não importavam a ninguém… Mas fazia parte daquele joguinho aborrecido, falar e ignorar, aborrecer, ignorar e falar: cagar.

Que coisa chata.

E então eles e elas chegaram. Com seus botões. Com o chale, a camiseta-arte-problema, o cabelo-parangolê: tudo tem seu lugar, até o que não está lá.

- Mais uma mesa amigo!, Carlos, sempre o atencioso e médio Carlos.

E começou com o de sempre, com os beijinhos curtos, sem fôlego: é como forçar o Bóris Casói a beijar toda a áfrica sub-sariana. Dos beijinhos parte-se para o desvio do olhar, o momento em que as roupas e os armários se beijam.

Cabides se encontram.

E a arte de se sentar como um horizonte invencível? Afinal, somos todos um quadro do Monet, me admire, me inveje,  me ame, me goza, me violenta com os olhos meu amor, me chama de bi-polar seu puto!

- Tudo bem querida?

- Tudo meu amor. Garçom, mais uma cerveja.

E apresentamos nossas carreiras, nossas conquistas, nossos medos do sequestro, do desemprego, de morar com os pais e vamos abrindo na segunda rodada, a da batata-frita, os subidiomas dos subgrupos de amigos, todos sub meu amor; sub-pop, sub-arte, suburbano, sub-sempre-alguma-coisa.

Coca light sem gelo com limão. Coca zero com gelo e limão. Gim com tônica e amoras. Sushi de cinquenta pratas. Um cone tailandês. Mas que se foda! Qual é a diferença? Vamos morrer, escutem, todos nós VAMOS morrer.

Vontades ocultas… Garçom, refrigerante 2 litros por favor, socializa esses putos com gelo da bica!

Queridas e queridos cadê o amor? Cadê o fôlego da noite? Acabou?

- Vamos dançar?

- Eu não sei dançar.

- E o mestrado?

- Não terminei o segundo grau.

- Tá trabalhando?

- Desemprego estrutural querida. Chique.

Firme e forte continuamos. E em um momento de iluminação Carlos lança a palavra sagrada.

- Tá, vamos para casa.

- Vamos, vamos que eu quero ser mastigada de novo e mais uma vez, e novamente. Cansei de sair assim da uretra, como quem passeia pela cidade fingindo que o céu está dentro do próprio estômago.

- Débito ou crédito? ele perguntou.

- Dinheiro paixão, dinheiro.

- Vamos sair e sair. Tem um martelo embaixo da cama. Vou te martelar até a morte meu amor. Você e a classe média, sussurei.

- Oi querida, o que você disse?

- Te chupar meu amor, te chupar.

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Ana Cristina: a niilista. De quando desbota.

Já cansou de sofrer menina? Já desistiu de colocar aquela trilha sonora que as meninas branquinhas, modernosas e cheias de fita crepe colada na agenda usam para sofrer?

Olha garota, deixa eu te avisar uma coisa, tristeza não pega, mas miséria sim. Miséria pega horrores! Miséria se transmite assim, pelo hálito.

Gente, mas que sofrimento você tem! Mas que mundinho grande! E seu amor? Aplacou sua dor? Cadê aquela angústia menina? Cadê?

Guardou ela na boate ou foi em alguma fantasia cheia de prendas?

Olha menina, eu te aconselho continuar assim. Vai. Bebe, cheira, fuma, fode, faz o que teu coração doído mandar. Até vale se pós-graduar com mesada no Canadá! Vale tudo para ser sofrida menina! Tu-do.

Vale chorar e fumar. Vale sair com as amiguetes e os amiguinhos ríspidos. Mas que gente desajustada né? Gente inteligente que caga Almodóvar depois do café da manhã. Mas que gente média não meu amor? Ótimo não! Mundo injusto!

Cadê aquele traçado? Não deixa eles te oprimirem filha! Mas guarda no peito aquele colarzinho da mamãe. Neurastêmica? Hipocondríaca?

Mamãe é workaholic, Papai paga o francês?

Ai que vidinha. Não me amo, não te amo, não me amam. Vamos comer sushi?

Passeia pelo mundo, passeia. Vai Branca de Neve. Vai.

Coloca mais um tijolo naquele castelinho lindo de final de semana.

Mas não esqueça sua rebelde. Não se esqueça que a maquiagem desbota e pode ser que sobre papai e mamãe no final.

No amor não se contam glórias

No amor não se contam as glórias, mas se realçam os desperdícios e as tragédias, pequenas, mas importantes demais para a memória ceder.

Ruiva, quando eu te encontrei , naquela primeira vez, que parecia única, e que momento por momento tornou-se singular, as coisas caíram, caíram ruiva.

Quero algo singular para amanhã. Quero ter o singular nas mãos. Quero criar algo que rompa minha rotina. Chamarei de silêncio, mas pode ser outra coisa. De qualquer forma sei que o singular que eu criei é um chamariz para que algo aconteça, qualquer coisa aconteça, mas nada acontece ruiva. Tudo se repete. O café, o edredom, a rotina, o trabalho, as decepções, tudo se renova ruiva.

Quero um amor rubro ruiva. Quero um amor ruivo. Quero sentir-me novamente com aquela esperança no peito, mas, por favor, por favor, peça aos seus deuses ruiva, peça a eles, que façam durar mais do que três meses.

Peça ruiva.

Quando você lembrar-se de mim ruiva, escreva para seus amigos deuses, escreva para eles, e peça para cuidarem melhor de mim.

Peça para que eu morra antes de fracassar novamente.

Não compactua com meu atual estado de espírito monográfico – sublimação e terapia na velocidade cinco: mas  é fato que qualquer hora volto aqui.

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