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Segue Sônia e a Insônia.

Sônia, não, você não pode dançar assim.

Olha teu quadril que lascivo. não provoca assim. Assim é demais.

Sônia, para de ligar, para de mandar cartas, para de telefonar, para de dizer a ele o que ele tem de fazer.

Sônia. Para.

Olha teu vestido Sônia, olha teu umbigo, olha teu céu Sônia. Olha teu universo como ficou pequeno quando ele te guardou no bolso.

Sônia. Muda tua religião, coloca o remendo no fundo da meia. Tá na hora de aprender menina. Com vinte e quatro eu já sabia fuder psicólogos.

Olha. Não se abaixa. Não deixa ele te pisar. Não paga na mesma moeda. Só seja Sônia, Sônia. Veste tua roupa. Cadê tua coragem Sônia, cadê.

Deixa a insônia pra ele. Deixa.

Sônia. Deixa de ser idiota.

Deixa de ser sônia Sônia. Deixa de ser sônia sua songa-monga.

Você fode ele quando quiser.

Origami Emocional

Vou lhe mostrar como fazer um origami emocional meu amor.

Você acha que a questão é simples querida?

Acha que é só você pegar aquele pedaço de gente e amassar? Não meu amor! Não é só amassar!  Amassar por amassar é coisa de gente amadora, garota! Você deve dobrar. Deve dobrar pouquinho por pouquinho, pedacinho por pedacinho.

Ninguém desconfia de alguém que dobra né? A gente desconfia de gente que amassa. Gente que amassa conta de luz; gente que amassa guardanapo e joga no chão, gente que amassa aquele dinheiro de raiva! Dessa gente a gente desconfia, não meu amor? Pessoas mal educadas amassam as coisas todos os dias! Até carta de amor!

Nós não querida. Gente da nossa estirpe não amassa… A gente dobra! Vai dobrando pedacinho por pedacinho; filminho, teatrinho, sushizinho, piadinha-internazinha-grupinho-bacaninha; vai dobrando.

Mas não é dobrar por dobrar não gatona. Não vale dobrar sem objetivo. Toda dobra é calculada. Dois anos? Dois meses? Dois dias? Você escolhe. Polissemia, poligamia, polifagia… É tudo no plural!

Primeiro você faz um sapinho bonitinho. Quando acabar, que tal uma raposa? Se pode ser o leãozinho, o pavão e o urinol do Duschamps? Se vale? Claro po-de-ro-sa! Va-le tu-do! Leva ele na exposição dos medíocres. Convence que o instante é que é o eterno amor, e que o eterno, o eterno não existe, passou, passou como um instante.

Liberdade é ser como você querida, ter um belo e rosado coração de papel! De papel! Mas vale cartolina e até aquela coisa, como chamam? Papel-crepom!

Você tem estilo!

Pode desdobrar tudo quando terminar! Desdobra tudo, coloca a entranha dele pra fora. Embrulha ele com celofone!

Depois dobra  de novo. Dobra de novo.

E não esquece que o papel rasga, papel rasga mesmo meu amor. Pode ser na boate, na fila do caixa ou até com a mãe dele presente, papel RAS-GA. E nessa hora a gente tem de se prevenir!

E quando rasgar, você pega outro papel, pega outro papel e vai dobrando, vai dobrando minha filha; cuidado para não se dobrar junto com o origami.

Cuidado, por que aí filhinha, aí eu vou ser obrigada a dizer que você se meteu numa caretice daquelas meu amor e o édipo pode vir junto.

Esqueceu como é que dobra? Nossa meu amor! Nossa!

Tenho que te dizer; vai, é só uma desconfiança boba…

Mas eu que acho que te dobraram! E tem gente que dobra e engole!

Distonia Paroxistica Noturna

Era o nome do meu cão.

Dormia aos meus pés todas as noites.

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