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Segue Sônia e a Insônia.

Sônia, não, você não pode dançar assim.

Olha teu quadril que lascivo. não provoca assim. Assim é demais.

Sônia, para de ligar, para de mandar cartas, para de telefonar, para de dizer a ele o que ele tem de fazer.

Sônia. Para.

Olha teu vestido Sônia, olha teu umbigo, olha teu céu Sônia. Olha teu universo como ficou pequeno quando ele te guardou no bolso.

Sônia. Muda tua religião, coloca o remendo no fundo da meia. Tá na hora de aprender menina. Com vinte e quatro eu já sabia fuder psicólogos.

Olha. Não se abaixa. Não deixa ele te pisar. Não paga na mesma moeda. Só seja Sônia, Sônia. Veste tua roupa. Cadê tua coragem Sônia, cadê.

Deixa a insônia pra ele. Deixa.

Sônia. Deixa de ser idiota.

Deixa de ser sônia Sônia. Deixa de ser sônia sua songa-monga.

Você fode ele quando quiser.

Varão

Posso fazer todas as coisas que papai fazia.

Dirigir, beber, bater em alguém.

Posso fazer todas as coisas.

Trepar. Xingar, mandar mamãe lavar os pratos.

A única coisa que não consigo fazer.

É ter aquele emprego estável.

E sobreviver a revolução sexual.

Então: mato a revolução sexual. Má, feia, boba!

Bato em Eloísa. Ridicularizo Neide. Castigo Rita.

E quando o quintal está cheio de brinquedos.

Enterro Vanessa no quintal.

Papai me ama.

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