Não adianta amor.
Não adianta.
Chega um momento que a gente, até mesmo o grupinho que tem esmalte da mesma cor, tem de vomitar e jogar tudo lá na cerâmica de casa.
Não tem mais a empregada preta pra limpar, não tem mais amor. A gente se proletarizou. Acabou a escravidão. Limpa você para variar.
Mentira querida, mentirinha, a gente tem o instrumento querida, a gente tem aquele instrumento; aquele pênis de ambição no meio das pernas, mesmo nas meninas, que poderiam currar um gerente nível dois a noite inteira, a gente tem amor, tem sazon, é só usar. E falamos duas línguas, mas só conseguimos meter no rabo uma, que é pra não gastar demais nosso cú classe média.
Dois aninhos sem empregada-negra-escrava e você já sofre querida? Dois meses sem tv a cabo e você morreu? Com é o nome do seriado? Aquele que ao invés de TH se fala com o “F” ? Fde Fudeu. Gente, eu nunca entendi falar TH com F de Fudeu! Isso é um desrespeito com a palavra foda-se, que é a palavra mais bonita da língua portuguesa!
Eu no supermercado, comprando aquela vodka vagabunda e miojo,.vai me chama de ressentida, eu deixo… E na minha frente uma morena de quadris largos, tatuagem no pulmão, iogurte anti-rugas. Ai que gente feliz, 600 reais numa compra de mês! Gozei, quase foi no balcão!
Paga no crédito. Barcelona no ano que vem?
E a maquininha apitava, apitava, apitava. E no meio da avenida, digo da entrada daquele templo, um morenaço alto, forte e com cara de pobre, entrou com tudo e botou pra fuder.
Chega um momento que não estão mais lá.
Tudo sumiu.
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