Contexto: Resgatei isto do meu email sem querer. Foi uma carta que eu enviei (na verdade um email) para uma paixonite há algum tempo atrás. Acho-a bela, mas como diria Fernando Pessoa, toda carta de amor é meio ridícula; pois bem.
Resolvi publicá-la pois paixão perdida bem cicatrizada jamais cria problema. E que venham outros amores, dores e humores.
É engraçado como eu, um cara que sempre acreditou que sua vocação para montanha-russa emocional não permitia tecer mais do que trinta e seis linhas sem iniciar uma longa discussão interna com parte da multidão de vozes que carrego em mim, consiga agora (talvez até impulsionado pelo looping da montanha-russa, devo assumir, sendo que uma parte de mim discorda disto totalmente) tranqüilamente plantar alguns quilos de parágrafos em meio a horta de coisas da vida.
Sem nenhuma dúvida, a tripulação interna de contradições que navega em meu peito não pode me julgar de não ser transparente e viral, o que produz alguns desconfortos de ordem literária, mas não há como negar que é a sinceridade que me motiva neste momento (por que um dos piratas diz que o impulso pode salvar o marujo da prancha ou pode jogá-lo no mar).
O capitão razão sempre diz que o timoneiro limpou o convés, cortou as batatas e subiu no mastro antes de pilotar o navio… E eu não deveria fugir à regra, mas como bom teimoso que sou atrevo-me a dar algumas escapulidas para o timão antes de limpar o convés e descascar as tais batatas do tempo.
O pirata pode ser um tipo impulsivo que prefere não seguir a escala do convés-batatas-timão mas sabe que quando a vela enche-se de sopro de alegria ele deve esquecer essa tal hierarquia do tempo e olhar somente para a origem do vento, e não há como negar que você já faz parte do sopro que impele a minha vontade-esquadra e a minha esquadra-vontade a desbravar os mares da vida.
Eu estou me esforçando para não me expor como um romântico bobo, (afinal, em nossa tecnocrática sociedade o romantismo está sempre ligado a infância como se fosse um sinal de fraqueza ou de imaturidade emocional) mas a verdade é que estes últimos dias foram tão bons, que eu resolvi concretizar parte do que eu sinto (só uma parte… também não pense que vou jogar todos os meus barris agora, assim de mão beijada… estragaria futuras surpresas…) neste textículo infantil (sim, a infância é uma fase tão espontânea, tão livre, por que não utilizá-la agora com denotações positivas?).
Sinceramente não me importo com o destino, aprendi muito a viver o presente e talvez isso tenha me prejudicado em certos momentos, o futuro pra mim é saudade, ampulhetas de areia que lentamente atrasam nossos encontros… o passado é um grande tesouro que mesmo nesses poucos dias que nos encontramos, só me traz recordações e sentimentos bons, que me levam a guardar e enterrá-los bem fundo em alguma ilha deserta para eu manter o mapa do tesouro só para mim…
Na verdade foram grandes dias, intensos, prazeirosos, cheios de cor que posso dizer sem medos, que se meu navio viesse a pique hoje, não me preocuparia com os redemoinhos jocosos do destino…
Enfim, gastei uma nau inteira de metáforas para te dizer coisas óbvias… estar com você é muito, muito bom… (e por que é que eu não falei isto no início do texto? por que estragaria TODAS as minhas torpes pretensões poéticas… )
E deixemos as correntes marítimas carregarem nossos navios sem que as expectativas os soçobrem nas dúvidas… parafraseando uma velha frase… não há navegação… há o navegar… há navegantes!
Beijos, beijos, beijos, não vejo a hora de jogar minha âncora e de te encontrar…
“As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas.
(Voltaire)
Beijão!