Pela porta da frente

Quando a estabilidade abandona o corpo pela porta da frente, diante daquelas cervejas, daquele cigarro amassado na caneca de café vermelha e com aquele gosto de insurreição psíquica varrendo o quarto, a gente se sente como um pedaço de coisa que não se encaixa no mundo, e é aí que vem o que se segue.

O metrô, a literatura, e os ideais da revolução francesa parecem ser uma forma preparada de escárnio, enquanto aquele corpo que já foi e passou pela porta da frente, privou-se de conviver com um espírito bêbado, sôfrego, que no fim da noite coça os cabelos e varre a cozinha em tom de decepção.

Quando sobra algum fôlego, um pedaço de final de semana serve para encaixar o mundo dentro de si; e de forma espúria, começamos a pender como verdadeiros imbecis à procura de um pedaço de mundo que se encaixe conosco.

Mas na verdade as coisas não se encaixam; as vergonhas, a saudade, e até a desilusão amorosa que não é tão amorosa assim quanto rezam os manuais.

Neste ponto, cortamos o pedaço de pão, pegamos o metrô, subimos as escadas, lembramos das mesmas piadas e até nos incomodamos de ler os mesmos livros.

Quando a estabilidade abandona a porta da frente, a gente se sente assim, com vontade de estilhaçar o mundo e comer de manhã, junto com aquela cafeína preparada pela rotina e por aquele absurdo que chamam de tempo, o que faltou de chamarem de humano.

Anúncios

Um pensamento sobre “Pela porta da frente

  1. Juliana disse:

    Esse não tem vírus!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: