Quando a sinfonia transformou-se em rotina

E havia um ponto que a caneca verde encontrava a mesa de tampo de vidro, que encontrava as digitais daquela mão, que encontrava aquele ar denso, que encontrava o tapete da sala, pregado na parede, que o encontrava assim, encastelado no sofá com cara de perdedor, sem encontrar ninguém.

E ele que fingia forjar personagens, que nunca reconhecia ninguém, mesmo no espelho, pensava no reveillon, na cerveja, na puta que pariu, no fim do mundo.

E aquela sinfonia, aquela sinfonia irritante, e os tímpanos quase explodidos na mesa, era The Who, mas parecia Vivaldi ou algum barulho de apocalipse motorizado, de metrópole.

E aí, um dos dois gritou: – nunca mais, nunca mais. E tudo continou como se não precisasse mais daquele fundo discreto, daquele vaivém de rotina, daquela  cortina cinza que algum imbecil insistia em chamar de vida.

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