Entrelinhas de um horizonte

Aquela baía que não me deixava mais ler.

Aquele mar que me fazia analfabeto.

Que nas entrelinhas, dos barquinhos pontuados por aquele verde-azul-negro oceano,  resplandecia e voltava prateado por sob a luz, de volta ao meu ônibus incandescente.

E eu que nas entrelinhas daquele texto-horizonte, começava a imaginar que o dono do barquinho, que o dono daquele barco, e seus funcionários, seu salário, seu combustível, seu barco grande e gigantes custos de ter aquela coisa cara, era assim de forma estúpida parte do meu horizonte barato, que voltava para mim.

E eu, encerrado naquele dilema, preferia perceber que os horizontes não se percebem, nem se lêem. Horizontes e baías se sentem.

Ou a gente sente tudo, ou morre racionalizando.

Racionalizamos o prateado do mar e matamos a paisagem e a nós próprios.

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