Dos farelos da memória

Acordei e escovei os dentes.

O mais difícil era acordar. Gostava mesmo era de dormir.

E aquela ferrugem nas mãos, aquele gosto de sal na boca, aqueles lábios ressecados e aquela taquicardia crônica agravada pela memória do olfato.

E a ruiva onde estava?

Mais uma carta devolvida. Mais um endereço errado. Mais uma desesperança que chegava sempre na hora do café. Foi-se. Perdeu-se no mundo.

Enlouquecer era fácil, morrer também; mas viver, viver era para os mestres, ou para os estetas.

E os farelos de pão sobre a mesa.  Mais um envelope rasgado.

Agora chega, hoje eu não saio de casa.

Gostava mesmo era de dormir.

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3 pensamentos sobre “Dos farelos da memória

  1. Líria Jade disse:

    Adorei o texto. Ah solidão, insatisfação…

  2. Tainá disse:

    É isso mesmo, viver é para os estetas.

  3. a ruiva disse:

    Ainda vamos nos encontrar Durden, vc sabe.

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