Reunião

E o que era a vida naquela cidade miserável que chamavam maravilhosa? Fugir, beber, morrer?

(Ana Cristina: a niilista)

Acender o fogão sem se queimar tem segredo, escrever romance tem segredo, beber cerveja tem segredo, mas felicidade não; felicidade não tem segredo. Felicidade só tem fantasia, e fantasia que desbota logo com o sol.

(Ana Cristina: a niilista)

Para que acordar, se amanhã se repete a mesma coisa? O devir é devir para a natureza, para nós chama-se ócio, rotina, essa absoluta mesmice.

(Ana Cristina: a niilista in Do diálogo de Ana Cristina consigo mesma)

Gente fudida como eu e você não vem com teflon.

(Ana Cristina: a niilista)

Esse sentimentozinho miserável por enquanto eu só posso chamar de sentimentozinho miserável mesmo, pois eu só consigo enxergar, ainda não escrevi.

(Ana Cristina: a niilista in Do diálogo de Ana Cristina consigo mesma)

O estranhamento é pessoal, nasce nos pâncreas, mesmo que eu não saiba e não queira saber para que serve um pâncreas – além de doutorar doutores, sei que um pâncreas não serve para nada que me interesse. Mas a morte serve.

(Ana Cristina: a niilista in Esta cidade vai matar todos nós)

Niilista, pessimista, ridícula, horrível! De tudo escutei.

Poucos me deram tempo para explicar, mas mesmo assim, não entendiam, afinal horror não se explica.

(Ana Cristina: a niilista in Esta cidade vai matar todos nós)

Para escrever é preciso desastres.

Mas eu que só tenho repetições de coisas pequenas, que calculadas de maneira miúda se concretizam, não sirvo para escrever, só sirvo para existir, como um saleiro com arroz integral.

(Festinha na Gafieira – Rafael Vendeta Soto Mayor)

E era assim, quando a cabeça girava, as luzes cresciam, tudo ficava meio inaudível, e alguém no fundo de mim existia com aquela raiva sangrando nos dentes e eu costumava dizer bem alto para aquelas festas e pessoas melancólicas:

– Sou mais velha, estou morrendo mais depressa que você e não sou escritora!  Eu sou alcoólatra!

(Festinha na Gafieira – Rafael Vendeta Soto Mayor)

Viver é matar-se todos os dias, e isso não é ruim, pois tem dias que a gente mata aquela parte da gente que impede a felicidade de respirar.

(Rafael V. in Toda pausa é um chute nos córneos)

Há a cada dia um modo novo, um modo novo e terrível a se explorar, cujas explicações anteriores não cabem mais, tem de ser reinventadas na pia com a escova de dentes e a coisa toda não se explica, pois é difícil explicar aquele absurdo, é difícil salivar com aquele estranhamento invadindo todo o corpo.

(Rafael V. in Estranhamento de si próprio)

Este horror quando não se presta à violência ao mundo, constitui o inóspito estranhamento de si mesmo, promovendo uma agonia interna que justifica o desejo de abolir o estudo, a caminhada, o labor e que no final dos dias se emoldura em piores e terríveis insônias.

(Rafael V. in Estranhamento de si próprio)

Essa ansiedade é uma agressão.

(Rafael V. in 40/11/10)

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Um pensamento sobre “Reunião

  1. meninainsone disse:

    Muito phoda!
    Dá uma passadinha no meu blog, to começando agora.
    Dê a sua crítica.

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