Ana Cristina, a resiliente

Fui naquela exposição, mas não consegui olhar nada minha querida. Por que? Pelas pessoas muito perfeitinhas. Corte de cabelo quadrado, roupinhas, brinquinhos, xadrez, e aquela coisa toda. Gente que não tem problema. Como assim? Está surpresa?

Escolher sanduíche é problema? Perder a vaga no curso de alemão é problema? Sujar o vestido de bolinhas é problema?

Não pudia olhar para os quadros, nem para as telas, nem para aquele parangolê gigante feito de silício, por que para apreciar a arte e a burrice alheia filhinha, é preciso se despir de tudo. De tudo minha filha.

Da dor no pescoço. Da ordem de despejo. De dormir num colchão inflável sobre os tacos de madeira. Do processo de seis laudas. De não ter toalha para se enxugar.

Sobreviver sem analgésicos e alargadores filha, não é para amadores.

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2 pensamentos sobre “Ana Cristina, a resiliente

  1. eliza disse:

    me fez lembrar a exposição a q fui ontem…

  2. Tutameia disse:

    As roupas que te vestem minha amiga, servem pra esquentar toda uma família…

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