Meu eterno desconhecido que na camaradagem uma dia se foi

O rapaz era a mim quase um desconhecido. Mas ouvi chamarem-no de Camillo Berneri e tudo se explicou. Não fui eu que inventei, escutei da própria boca de um ferroviário da Catalunha, que entrara com um rifle nas mãos, naquele bar que não tinha nem conhaque, nem cervejas; era uma pausa, uma pausa diante o que parecia ser, a aparente eternidade.

 Em plena revolução de 36, a camaradagem deu lugar a impaciência.

 – Companheiro, se quer fumar fume lá fora!

 E foi dessa forma antipática e cretina que eu preferi ficar lá fora fumando o cigarro ao invés de me despedir do querido companheiro Berneri.

 Que se vá! Pensei, gritando alto antes do fim: um dia nos encontramos e resolvemos como libertários, essas cicatrizes do cotidiano. Tudo se resolverá.

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