Da violência simbólica

Rafael Vendetta

Acabou. O horror sem a praia. A folha de papel está vazia e o café quente na mesa. Quando acordo não consigo dormir. Quando durmo não consigo acordar. O  desafio dos passos cotidianos. Sair de casa sob sonhos esmagadores sem caneta, pegar um ônibus, cumprir as tarefas, mastigar.

E aquele passado invencível na mesa, junto do pão e do café, esperando alguém abrir a janela, fumar cigarro e voar por entre os prédios desse bairro cinza. Não queria virar escritor? Mudar o mundo? Viajar ao redor do globo? E agora, nem consegue abotoar os botões sem olhar para o nublado do céu? O tempo está passando. Amanhã são trinta, quarenta, cinqüenta anos. E tem gente na fila, esperando o seu lugar adulto vagar.

Me responde agora: essa poesia consegue fazer a ferrugem falar? Todo mundo é escritor.  E se isso aqui está sem sentido é por que a tradução do estranhamento não é uma coisa que se possa resenhar com o livro do Bourdieu nas mãos minha querida. O que você esperava de mim? Eu sou como você. Só vim aqui para cumprir tarefas e esperar o tempo passar para morrer/viver. Não seja tão exigente.

Não posso ser maior do que sou. Olha a folha de papel vazia. Vou voar por aí amanhã, hoje eu espero que o mundo abra uma janela sem me perguntar porque diabos o tempo passou e eu ainda estou com esses sonhos recorrentes nos olhos. Me deixa em paz. Cuida da sua própria ferrugem.

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