Escrever é denunciar (I)

Escrever é denunciar a si mesmo. E na fragilidade do mundo, o que eu quero são segredos, só meus. Quero a segurança de um bom segredo pra chamar de meu. Sem analistas de ocasião. Cansei dos terapeutas de bar.

O melhor a fazer é sorrir e continuar. Com os fios que me ligam às pessoas sequestrando minhas vírgulas e mantendo as minhas palavras reféns de uma imagem pública que em algum lugar construí sem saber. Alguém deve saber para onde vou, por isso tenha cuidado com as letras. Elas sempre trazem as perguntas: você está bem? Não entendi o que você escreveu você está acabando com nossa relação somos amigos o companheiro está com problemas muito contraditório de sua parte você bebeu naquele dia por que escreveu isso parece que não é você me traiu não quero mais ler aquilo novamente não fale mais disso.

Bem vindo a época das atitudes responsáveis, dos hábitos felizes, do pão, do café e da rotina sem prosa, sem poesia. Cheia de contas a pagar.

Bem vindo ao mundo dos escritores, onde ninguém lê ninguém, mas há sempre interrogações no canto da sala.

Não, não quero ser lido sem fissuras nos olhos do outro. Quero ser lido sem a assepsia dos que transformam todas as letras num campo de batalha ou uma confissão permanente. Para isso já existem los curas. Não quero escrever num confessionário. Quem não tem abismos que atire a primeira pedra.

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