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Uma resposta a uma cantada na noite – Ana Cristina

Rafael Vendetta

Há meninos lindos, que desfilam pela calçada-faculdade-passarela como anjos que descem do céu com batom glacê, que por uma noite ou outra, lhe tocam bem no meio dos rins dizendo: você quer ***** comigo?

As palavras impublicáveis antecedem o estupro. Daqueles machos coroados com carros instantâneos, que atingem de zero a cem como um gozo precoce, que vem com uma arma, um energético e um advogado da Avenida Paulista que transforma um homícidio culposo numa lesão corporal leve no porta-mala.

Esses meninos lindos, que mamãe premiara com uma morning-star e uma armadura de oitocentos reais para caçar princesas com um gládio na pélvis costumam dizer na noite: gata, você é gos-to-za. Goxxx-tosa, com aquele filme pornô nas mãos.

Meu amigo, quem não gosta de *****? Mas e a relação de poder onde fica?

Presta atenção, quando você quebrar meu braço dentro de uma boate, eu não vou poder segundo as tábuas de Moisés reunir vinte mulheres e lhe dar, os hematomas e a correção justa que você merece. Eu terei de ir aos homens da lei. O delegado fão de redbull, o juiz machista e malhado, o promotor que luta jiu-jiutsu com seus colegas de barbárie. Entendeu? Eu vou perder muito tempo.

Pense bem meu amigo. Eu não vou entrar como uma ação e muito menos poderei ir a um jornal da Tv, editado por um aliado seu.

Olhe, pense novamente. Calcule com atenção. Porque da próxima vez que você fizer isso, eu terei de comprar uma arma. E aí você ja viu né? Mamãe vai chorar e nem botox vai salvar o seu enterro de caixão-fechado.

Segue Sônia e a Insônia.

Sônia, não, você não pode dançar assim.

Olha teu quadril que lascivo. não provoca assim. Assim é demais.

Sônia, para de ligar, para de mandar cartas, para de telefonar, para de dizer a ele o que ele tem de fazer.

Sônia. Para.

Olha teu vestido Sônia, olha teu umbigo, olha teu céu Sônia. Olha teu universo como ficou pequeno quando ele te guardou no bolso.

Sônia. Muda tua religião, coloca o remendo no fundo da meia. Tá na hora de aprender menina. Com vinte e quatro eu já sabia fuder psicólogos.

Olha. Não se abaixa. Não deixa ele te pisar. Não paga na mesma moeda. Só seja Sônia, Sônia. Veste tua roupa. Cadê tua coragem Sônia, cadê.

Deixa a insônia pra ele. Deixa.

Sônia. Deixa de ser idiota.

Deixa de ser sônia Sônia. Deixa de ser sônia sua songa-monga.

Você fode ele quando quiser.

Varão

Posso fazer todas as coisas que papai fazia.

Dirigir, beber, bater em alguém.

Posso fazer todas as coisas.

Trepar. Xingar, mandar mamãe lavar os pratos.

A única coisa que não consigo fazer.

É ter aquele emprego estável.

E sobreviver a revolução sexual.

Então: mato a revolução sexual. Má, feia, boba!

Bato em Eloísa. Ridicularizo Neide. Castigo Rita.

E quando o quintal está cheio de brinquedos.

Enterro Vanessa no quintal.

Papai me ama.

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