Arquivo da categoria: poesia para tempo sem gente

Insônia medieval

Rafael Vendetta

Os pombos e a insônia voltaram. Como a peste negra.

Que grudou nas minhas pernas e eu acordei medieval, almoçando sem garfos e facas,

comendo um pedaço de mim, barbaramente, até que me descobri,

cheio de sentimentos feudais, cuspindo o antigo regime pelas línguas do destino,

esperando o mundo acabar em 2001.

Os números primos me agradavam, pitagoricamente me agradavam,

com aquela inquisição de facebook a me comer os três estados

pela beirada da germânia dos comentários.

Até que um dia, cansado,

resolvi crescer e me guilhotinei emocionalmente num post bárbaro

com o vagalhão que pedia a cabeça do rei de 56 k, enquanto

eu crescia no mundo contemporâneo de mim mesmo

até, discutir, se era o meu sol que rodava em torno da terra, ou

se a terra cansava, e trazia-me em meu sol do meu perfil

[use protetor solar]

Da vida

Gosto da vida de garrafas cheias
Que escorre nos dentes e nos lábios
Do ontem; Do hoje, do se foi.

 

cadeira