Um diálogo tardio


Eu só penso em uma pessoa quando escrevo ruiva e você sabe que é você. Nunca neguei isso para ninguém. Eu evitei dizer, na verdade nunca disse, mas quem olha no fundo dos meus olhos sabe que essa é a verdade. E isso está estragando tudo. Todas as camadas que eu coloquei em cima de você não duram.

Você me diz pra seguir a vida e te esquecer, mas isso não é possível no momento e não sei mais quantos anos sentirei isso, como sinto, da primeira vez que te encontrei. Você deveria saber disso, talvez já saiba, mas é fácil me ignorar. Eu admito. Sou uma pessoa fácil de ser ignorada. Eu simplesmente me esforço para isso. Tomo café, durmo em casa sozinho, leio e compro tabaco. É fácil me ignorar. E eu gosto disso.

Não posso fazer isso como você: viajar o mundo e viver. Eu não sou assim. Nunca fui. Minha vida é mais simples. Eu vivo um mundo entre quatro paredes. Até quando viajo, gosto de estar entre quatro paredes. Não sei bem o que é essa liberdade de não ter raízes fincadas bem fundo na terra.

Eu vejo tuas fotos, as que eu posso ver e não espero mais nada. Já tive alguma esperança, mas não muita, nunca tive muita esperança. Isso explica a intensidade de tudo o que eu senti; o quanto eu me doei. E foram só duas semanas, talvez mais do que isso, mas se contarmos bem, o tempo que ficamos juntos, tudo não durou mais do que uns 20 dias. E pensando bem, eu poderia ter me doado mais. Na verdade me doei muito, mas não do jeito certo. Em nenhum momento eu disse, eu falei, nem gritei, nem citei nada nem ninguém que me inspirasse, mas enfim, eu me doeei, porque era teu cheiro que eu sentia, quando eu ia dormir, mesmo sem você. Eu achei que não precisava ter dito.

E agora? E agora como estou? Como te explico? Deixe-me começar e serei rápido. Eu não tenho mais esperança. Sei que aquilo já passou. Tudo aquilo. Um belo verão que se foi e foi um lindo e determinado verão. E veio o inverno. E eu fiz três anos de terapia e se foi. Mas espera. Não quero falar do passado. Quero que você me ajude e me dê meu futuro de volta. 

Eu não consigo mais seguir sem pensar nisso. Eu finjo que eu não penso, mas alguém sempre descobre e tudo começa a ruir. Eu falo para o meu terapeuta que eu não penso. Eu sempre sento naquela cadeira laranja e digo a ele que tudo está bem, que tudo está melhor. Eu sigo e ando até com os punhos fechados, mas meu problema, aquele que não se cala, é o fato de eu não conseguir mais amar ninguém ruiva. Só você.

Mas eu sei que você está no passado. Não sou nostálgico. Eu sei que você já passou. Eu tenho certeza disso. Eu sei que acabou. E você ainda apareceu no meu sonho, naquela estrada e me disse: vai, segue, me esqueça. Mas eu não consigo ruiva. Eu preciso saber como se faz. Por que eu tentei de tudo.

Eu fiz tudo e mais um pouco e continuo na mesma. Parece que eu andei em círculos. As pessoas sempre dizem: isso vai passar. Como elas tem certeza? 

E se vai passar, quantos anos eu vou precisar? Quero saber. Quantos ruiva? Eu só quero saber pra saber se vale a pena esperar tanto. Por que sinceramente e sei que tu não vai voltar, eu quero que aquilo que já passou não faça o que está fazendo, que é me espremer como um inseto. Eu quero meu futuro de volta ruiva.

tumblr_lzvffoahs61ql1vqno2_500

meensineateesquecer

Me ensina a te esquecer.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: