Do último sonho, do último porre


Rafael Vendetta

Sem poesias. Vamos aos fatos agora.

Tudo começou como um sonho. Vamos ao sonho:

Um acidente de ônibus. Micro-ônibus. O micro-ônibus tomba, as pessoas saem, ninguém se fere, eu estou fora, assisto a tudo. Meu pai vai chamar ajuda. Eu vejo um ambulância chegar atrasada, todos estão bem, ninguém se fere. Eu caminho. Vejo meu bolo de morango(*), mas (até) no sonho eu me confundo. É uma pessoa parecida(guarde este trecho iremos para a realidade com ele mais a frente), mas não é ela. Eu caminho. Fim da parte A.

Estou no prédio da minha faculdade(eu sinto que é, mas na verdade não é o prédio…).

Eu entro numa sala que está interditada. É o instituto de física. Eu abro a porta, invado o local. Todo o chão é de madeira, placas de madeira. Há um cômodo, com janelas, portas, todas lacradas com madeira, eu vou para outro cômodo, quando piso no chão deste cômodo algumas madeiras do chão rangem, quebram, eu quase caio lá embaixo e vejo que há um outro cômodo secreto debaixo deste piso desta sala. Tenho medo de cair, volto a outra sala do cômodo, abro algumas janelas, portas(na verdade elas se descortinam), vejo pessoas lá fora. A sensação é de estar num castelo. Tento fechar tais portas, tais janelas, mas elas não fecham. As madeiras que a escoram caem, nada se encaixa novamente no lugar. Eu volto para o ambiente dois, o ambiente onde o piso cai, e eu desco para o ambiente, me jogo pelo buraco criado no piso. E vou para outro lugar.

Um lugar secreto, nos subterrâneos da minha faculdade(ou seria da minha mente?).

Eu desco. Vou andando. É um galpão. Enorme. Ninguém. Eu me esgueiro pelas colunas que sustentam o teto, desco até o chão acho uma pequena escada, subo, e vejo um teto suspenso, um piso suspenso neste galpão, neste piso, milhões de brinquedos de criança(minha infância armazenada? escondida?), tem muitos bichos de pelúcia, em sacos plásticos, gigantes, eu me impressiono com tudo aquilo. Alguém está roubando a infância de alguém? Estão em bom estado. Mostram organização. A infância guardada, organizada, escondida. Dois duendes passam por mim. Não são duendes. Eu acho que são crianças, mas me lembro no sonho o trecho do poema do Nietzsche: “… este duende que corre entre vós…”.

Não são duendes. Eu agarro um deles. São bonecos, bonecas de criança que andam, mexem os olhos, quando eu agarro um deles, ele(ou ela) simplesmente permanece parad@ como algo inanimado, mas o outro corre no meio do piso elevado do galpão. Duas pessoas neste momento passam na parte de baixo do galpão. Eu me escondo atrás da parede onde se escondem os brinquedos. Uma ruiva passa pelo galpão. Cabelos vermelhos longos e uma outra mulher que não me recordo a aparência. Um dos duendes joga um dos bichos de pelúcia nas duas mulheres, nas ruivas. Joga vários. Eu jogo também alguns eu acho. A ruiva e a outra mulher olham, ficam assustadas, procuram os autores do golpe. Correm… Eu pulo o tal muro. Corro atrás delas. Os duendes ficam. Eu corro atravesso o galpão para um lugar muito maior. Elas estão bem mais a frente, eu me lembro que tento alcançá-las para explicar que foram os duendes e não eu os que atiraram os bichos de pelúcia.

Enquanto eu corro em direção a elas, dois homens vem em direção a mim. Eles gritam, me avisam, “o que está fazendo”, acho que vão me agredir, um mal entendido. Eu alcanço a ruiva, seguro ela, mas os dois homens, rapazes, vem em direção a mim. Eu explico, tento explicar tudo. Dou um mortal com o corpo para trás. Uns passos de capoeira, uma estrela no ar. E as coisas se explicam. Eles não me agridem.

Eu acordo. E só me lembro disso até agora.

Na realidade. Encontro uma ruiva. E um simulacro de ruiva(o trecho que eu pedi para guardar). As coisas vão se encaixando. A noite cai. Cai e eu fico sozinho, no ponto de ônibus. A falsa ruiva vai embora muito cedo. Ela não é tão ruiva quanto eu pensei. Estou vendo a ruiva em todos os lugares eu imaginei. E é verdade.

A noite não cai, desaba. A lua está bonita, apesar de tudo escuro. Ainda rolam algumas cervejas, uma música triste e uma plena capacidade de escrever isso tudo.

Aqui.

https://pseudocontos.wordpress.com – Publicado originalmente em 02/06/2007

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