Sirva seus servos


Rafael Vendetta

Eu adorava dormir com a ruiva. E olha que eu já dormi com muita gente. Mas a ruiva era realmente especial. Eu gostava de boa parte do metodismo dela quando ela estava com sono. Por que eu só via a ruiva metódica nesses momentos, quando ela dormia.

Mas quando eu falo dormir, as pessoas relacionam com sexo. Não é isso. Não que o sexo com a ruiva tenha sido ruim. Pelo contrário. Era sublime. Mas não é disso o que eu falo. Falo de dormir, sonhar ao lado dela, com um pouco de pó de estrela na cabeça. Eu nunca soube o que é paixão própriamente.

Eu achava que era apaixonado por uma meia dúzia de pessoas. Eu me enganei. Fui em graus distintos. Mas que se foda a razão. Estar apaixonado é estar sem razão e que se fodam os racionais que vão analisar isso aqui da maneira mais chata possível. Eles(libertários ou não) só sabem ver as coisas por esse ângulo. Apaixonem-se e verão o que estou falando. Se nunca se apaixonaram não é problema meu, a paixão precede todas as ideologias.

A paixão faz você botar a porra da cabeça no travesseiro numa segunda-feira pós-feriado e faz você sentir falta da ruiva, mesmo lutando racionalmente para que isso não aconteça, mas você sente falta da ruiva, sente mesmo e tenta entender a porra dos mecanismos primitivos(??) que te fazem agir desta forma. Ela está lá, e às vezes visita seus sonhos. A paixão faz isso com você. E é pior que a carência. Muito mais, por que na carência, você joga seus doces emocionais avanço e qualquer cozinheira consegue agarrar os quitutes, mas a paixão não te dá oportunidade Não há muitas escolhas.

Eu gostava de ver a ruiva dormir, mas eu adorava mesmo assistir ela acordando. Era lindo!

O rosto que ela fazia, o cabelo desgrenhado, mas tão sexy, o esforço por permanecer sóbria, tudo isso me contagiava. Na verdade não consigo descrever exatamente, por que a paixão também faz isso com você, ela te faz ficar acordado até as 5 da manhã rodopiando com um caos dançarino dentro de si. Te faz escrever, escutar e reagir de maneiras que você não gostaria. Te faz.

É difícil, por que você não faz força, nem sentido. Quando escrever torna-se(te) difícil levanta-te no outro dia caralho!

Eu só queria que ela falasse comigo. Da forma que ela falava antes. Com seus cabelos vermelhos. Eu queria não estar passando por isso, que não-é-porra-nenhuma diante do sofrimento do mundo, global. Mas está aqui. É algo concreto e dói tambémOs.

Vou tentar dormir. Cobrir-me, e afundar-me em alguns abismos introspectivos. Talvez eles me salvem.

https://pseudocontos.wordpress.com – Publicado originalmente em 12/06/2007

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