Arquivo da categoria: pílulas poéticas

Manifestação Legítima

Há pouquíssimo tempo, uma novidade atrai a curiosidade dos frequentadores do centro do Rio de Janeiro. Vestindo uniformes e portando megafones, pequenos grupos de trabalhadores interferem na rotina frenética da cidade. Espalhados em diferentes locais, esses guerrilheiros da propaganda atuam diretamente no cotidiano dos transeuntes, disseminando energicamente seus discursos inflamados. “Da primeira vez que vi, confesso que achei que era um grupo de esquerda, até porque ouvi a palavra liberdade umas duas vezes, durante o pronunciamento público da moça que portava o megafone”, revelou um amigo.

Os “manifestantes” na verdade são trabalhadores mal-remunerados, assalariados. São contratados pelas empresas de telefonia para venderem, aos berros, os chips de suas operadoras aos transeuntes dia após dia. “Curiosa manifestação.” Pensei alto. “E veja, esta liberdade não é proibida.”

Esta pequena prosa poética de minha autoria foi publicada na seção Flagrantes delitos, do site Passapalavra.

http://passapalavra.info/?p=38875

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O final de ano é apenas o começo

Quando os fogos se anunciaram, eu apenas fumei cigarro e dormi.

À neurose do consumo das ruas eu respondia com leves caminhadas e nos intervalos fazia haikai’s.

Eu precisava de lâmpadas e papel-cartão, mas alguém falava em paz, sonhos, realizações, e uma coisa engraçada chamada futuro.

Na festa de final de ano ninguém entendeu, mas eu, eu pedi café.

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Ferrugem

Aquele gosto salgado, era o pedaço das palavras enferrujadas  desfazendo-se na minha boca.

Uma boca degradada e suja.

Cuspia aquela sujeira de mundo entre portas fechadas, portas miseráveis!

O afeto, assassinado. A paixão, literatura. A vergonha, distribuída.

A miséria, a miséria eu comia com as mãos esperando aquela náusea morrer comigo.

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Novos Rumos

Procurando algum poema ou café sem açúcar

Para encher aquela solidão de sentido

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Cinza após cinza

E me sobra um infinito cinza
Cujas cores escasseam, mas gritam na rua
Gritam na rua
Com o arame farpado dos prédios
Nos dedos

Emoldurando
Minha solitude bêbada
Recortando-me cinza após cinza
Com o arame farpado dos prédios
Nos dedos

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Aluguel

Possui banheiro, geladeira
Fogão e fosso
Um fosso escuro e sem fundo
Um fim eterno
Que não paga condomínio

Feito em parceria com Felipe Liro, amigo e companheiro de angústias, abismos, poemas.

Saudades

Dela restaram dois grampos por sobre a mesa e aquele cheiro invencível que eu podia sentir atravessar todo o cômodo.

O melhor cheiro do mundo.

Da luta contra a máquina

Shakespeare dizia que o que somos é o que nos faz viver. Equivocou-se.

É o que nos faz viver que é o que somos.

Classes, estrelas e modos de se ver os astros ou (como)as coisas

Nas noite e nas classes vemos as estrelas de modos distintos. E muito abaixo das estrelas há os que terrivelmente acreditam ser, infames donos da lua.

Te espero

Te espero aqui, com meus poemas, sorrisos, beijos.