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Quando foi que você enxergou o cinza?

Rafael Vendetta

Vou te dizer como estou agora (interprete isso como uma mensagem). Vou te dizer como estou. Depois de algum tempo, andando de tênis, mochila e coragem vou te dizer. Depois de muito tempo eu resolvi viajar e voar. Eu voei por aí. E vou te dizer como foi.

Eu matei um pedaço de mim meu amor. Vou dizer como foi. Eu matei um pedaço meu e você estava lá. Foi com bisturi. Você não é culpada, ninguém é. Pois todas as cores tem cheiro de cinza. E você não estava lá quando isso aconteceu. Não tinha ninguém. Eu era o único.

Eu comecei a enxergar cinza e você só deu o último golpe. Que culpa você tinha? Você só completou. Você só fez o que todos esperavam. Ninguém imaginaria que eu, não sobreviveria ao cinza.

Mas eu sobrevivi.

Eu estou aqui. Eu pulei na água. Mas a água tem cor de afogamento. Eu estou aqui meu amor. E ninguém notou.

É hora  de viver e seguir; como você, que viajou e voou… Você me encontrou no último golpe. E só sei dizer que as letras me salvaram. Eu só queria dizer que você foi importante e ainda é.

Não sinto mais sua presença, eu sinto apenas, sua falta. Eu andei de mais. Vou te dizer como foi: foi assim. Foi assim, quando todos esperavam, que eu comecei a enxergar cinza. Foi quando eu imaginei que não sobreviveria ao cinza. Foi quanto eu te beijei. Porra. Todo  o resto é interpretação.

https://pseudocontos.wordpress.com/

tequeroperto

tequeroperto

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Adendos emocionais

Lendo muita coisa antiga. Eu percebi que muita coisa ainda dói.

O adendo é que eu ainda tenho a velha capacidade de estragar tudo.

Crise literária

Desconfio que minha criatividade acabou.

E como diria a música do Rei Roberto

Eu voltei e agora é pra ficar…

Paradoxo do sucesso

E me diga se há alguém ou algum fracassado que falhou em falhar?

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Clique incessante

são

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A pilha de livros, a nota amassada em cima da mesa. A luminária quebrada.

Absolutamente, nada daquilo possuía relação com o clique incessante que começara há cerca de cinco, ou quinze, ou podia ser até trinta minutos e que me fizera só atenção.

No início tentei achar a fonte do som, mas fui infeliz por que cada cômodo do meu apartamento parecia o emissor; eram poucos cômodos, mas o som era alto e crescia, num rompante, clic-clác, clic-clác, clic-clic-clác.

Procurei três vezes repetidamente, mas creio que na terceira procurei mal, mas o som prosseguiu independente da minha eficácia.

A coisa toda se desenvolveu rapidamente. Pois aquele som não podia ter durado muito. Por que eu me lembro, que depois do som, veio o silêncio.

E o silêncio me enlouqueceu mais do que o som. Falaram dez anos, mas eu nunca soube.

O silêncio me incomodou.

O silêncio tomou todos os cômodos da casa. Não tinha casa.

E cliques; eram cinco ou seis. Clic, clic, clic, CLÁC.

Na terceira batida do clique, que se alternava com o silêncio, eu acendi uma vela, pois achei lógico usar o isqueiro.

O clic-clác-clic continuou. As lembranças da infância surgiam.

E eu comecei a me esfregar na parede. Eu subia na parede. A parede estava branca. Eu batia a cabeça, clic-clác-clác-Clác-cLÁc e CLÁC!!! O sangue jorrou. Cortei-me. Imaginei que fora a marca da cerveja.

Droga, não tomo mais heineken! Nunca mais.

O som do clic parou. O silêncio também. Eu fiquei sentado, encostado na parede, escutando o sangue descer da cabeça para o tórax, e do tórax ia para a perna, e depois que eu levantei tudo se bagunçou, as cervejas, o sangue, a batida, as paredes, as pernas, por que eu resolvi me jogar por cima daquela mesa de vidro.

E eu não escutava mais nada. Quarenta e seis pontos.

E doze meses depois, as pessoas sorriam e falavam que a cena mais engraçada foi quando eu tentei cortar os pulsos com uma faca de plástico meio cega.

E todo dia, falavam a mesma coisa. Que eu tentei cortar os pulsos com um faca de plástico cega.

Hora da visita!

Tentou cortar os pulsos com uma faca de plástico, em pleno Pinel, falavam.

E se repetia, todos os dias. Cortou os pulsos com faca de plástico, clic.

Quarenta e seis pontos, eu lembrava.

Todo dia, CLIC, CLÁC, CLIC, CLÁC, CLIC.

Até que um dia, CLOC, acabou.

Enfermeiro!!!

Meu amor é um banheiro

Tem aqueles dias, que os culhões e os olhos do horizonte lhe cabem na palma da mão. E aí você vê um caixa de bombom vazia enquanto mija, com a lixeira flanqueando os bombons e com seus culhões nas mãos enquanto a urina acerta a cerâmica da vida.

Você mija e olha para o céu, mas o seu céu é um céu de azulejos, um céu de gesso.

Você olha para o espelho e para a música e conclui que aquilo tudo é você, mas dez anos mais velho.

Conclui então que vai morrer. Como todo mundo. Incrível descoberta.

Demorou a perceber que você mudou. Por isto, guarda seus culhões num caixinha segura de páscoa, azul marinho, com fitinhas vermelhas.

A música é a mesma. Quase francesa.. Mas os culhões não… culhões…

São apenas glândulas reprodutivas.

.

Conclui então que vai morrer.

Pausas? Offline…

Estou trabalhando em algo novo. Mas avanço poucos milímetros por dia e não estou afim de publicizar nada, não por enquanto. Sinto que por pouco , posso estragar tudo, e aí terei de voltar a estaca zero.

Paralelamente tentarei ir escrevendo alguma outra coisa.

Minha cabeça é só literatura, alheia… Esforço-me, mas dúvidas pairam. Será? Prosseguir… publicizar? Talvez comprar mais cervejas. Ou ter mais disciplina.

Ou ler mais literatura. Consumir vorazmente para me consumir depois.

Bateu aquela crise de auto-estima literária, boa para colocar pés no chão, mas, quem disse que eu quero andar… eu quero é voar…

Mas voar com um abismo nos pés?

Então é melhor ir escrevendo calado. Cortar, reescrever, rascunhar, anotar e depois ver se sobra alguma coisa boa, para gente expor junto com as nossas entranhas ao sabor do vento ou do público.

Vai entender.

Acordo secreto

Na minha estante, muitos livros do neruda; mas me desfiz de todos, rapidamente.

É um acordo secreto: meu e do Neruda. Ele só me pertence de passagem, vira presente sempre. Pois não é justo pertencer algo que ficaria triste na minha biblioteca.

É melhor ele sair distribuindo felicidade pro mundo do que olhar alguém que não é feliz o suficiente para poder lê-lo.

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Absurdo: cômodo e simples

O absurdo; aquele pedaço de sinceridade, cômodo e simples, justo como o nunca, jamais me pediu algo.

Na terceira garrafa o nada.

No terceiro suspiro, o medo.

No terceiro tropeço, ruídos.

No terceiro sorriso, maldade.

Poesia, poesia, poesia! Gritaram os porcos!

Desistir é olhar para dentro. O absurdo, aquela sinceridade santa, simples, era o nada.

O absurdo, prostrava-se no cotidiano, veja bem.

Parem o conto. Matem a poesia. E enterrem tudo. Acabem.

Verde, amarelo, vermelho, verdade; acabou!

Absurdo e sinceridade: justiça, justiça dos mesmos.

Não gostei mais.

se bakunin virasse poeta raul seixas era especifista